Um soco na cara...
Date: Jan 19th, 2015 7:59:32 pm - Subscribe


Hoje levei um puta soco na cara... Bixo... doeu.. mas doeu muito.
O diretor da empresa em que trabalho pediu demissão.
Doeu.. doeu.. e ainda dói. A informação está parecendo aquele caroço de pequi com espinhos: difícil de engolir.

Desde que entrei na empresa tive muito apreço por ele. O guri (apesar dos seus trinta e talz) sabia comunicar decisões estratégicas, era transparente, mantinha viva a visão da empresa para os próximos 5 anos... e, com ele no leme, eu tinha a tranquilidade e a agitação de que tudo caminharia por uma trilha fodástica, alcançando posições do caralho!

Desde que entrei na empresa divido meu tempo entre trabalho e mestrado.. e tanto ele quanto meu chefe me apoiaram e ajudaram muito para que eu concluísse essa etapa. Infelizmente, minha produtividade caiu bastante nos últimos tempos, e caí na armadilha do pensamento: "estou gerando uma dívida com eles por essa subprodução.. mas assim que terminar o mestrado, dou um gás e pago com juros!"
Só que mais uma vez caí na ilusão do tempo infinito, da imutabilidade do mundo enquanto estou aguardando um acontecimento... O mundo não parou só pq eu resolvi esperar. O diretor resolveu sair. A improdutividade reinou. Eu não vou ter a chance de pagar a dívida para com ele.

Estive conversando com um amigo sobre aproveitadores, compensadores e doadores. Os primeiros buscam levar a vantagem em tudo. Os compensadores vivem buscando compensar: pagar pelo que recebeu, e pronto. Os últimos não se importam em, e alguns até buscam, dar mais do que receber.
Me vejo entre o compensador e o doador: Me sinto muito mal quando levo vantagem em algo, acho simplesmente injusto. Tento, no mínimo, compensar as coisas que recebo e, quando possível, doo (me faz bem sentir-me útil). E aí... estou sentindo uma mega sensação de injustiça: tive um bom salário, ótimos lideres, apoio para finalizar o mestrado (inclusive com redução de carga horária)... e não vou conseguir compensar minha falta de improdutividade nos últimos meses... :/

Anyway... não consegui ficar parado. Fui conversar com meu chefe.. e aí descarreguei tudo o que estava sentindo e entalado na garganta: desde esse sentimento de improdutividade e não-compensação até algumas reflexões de carreira...
Há muito tempo não conversávamos fora de alguma reunião. E foi bom para realinhar algumas expectativas.

E nesse realinhamento.. estão cientes da minha baixa produtividade, mas optaram por pagar o preço, e admiram minha posição de querer compensar essa dívida. Fora isso, gostariam de me ver opinando mais, pois seria tanto bom para minha carreira quanto para a empresa.
Foi particularmente interessante poder ter uma conversa aberta sobre futuro da minha carreira, ainda que a empresa atual não estivesse nessa linha por muito tempo. Essa transparência me fascina! grin.gif

Bem... é isso. O soco forte serviu para eu parar de adiar as coisas e achar que terei tempo para tudo. Não fosse a minha procrastinação, já teria terminado esse mestrado, pago minha dívida, e estaria desenvolvendo minha carreira. Estou pagando o preço de ficar calado frente a muitas situações em que eu poderia ter encurtado o mestrado. Estou pagando o preço de achar que teria tempo suficiente para pagar a dívida da minha improdutividade. Estou pagando o preço de ter procrastinado para fazer o mestrado. E está saindo caro.

Duas coisas que, certeza, o mestrado reforçou para mim: 1) Se não se sente bem fazendo algo, é melhor cair fora do que insistir. 2) Ao assumir dois compromissos que demandam esforço, é necessário se dividir em 3: um para cada compromisso, e outro para gerenciar esse compartilhamento do único recurso disponível: eu mesmo.... e não dá para ser nem mesmo 80% de mim em cada lugar.

Tive muita dificuldade em cuidar de mim mesmo e conseguir direcionar esforços quando necessário. Houve tempos em que direcionei à empresa.. e outros ao mestrado... Quando consegui equilibrar, passei a me sentir subutilizado tanto na empresa quanto no mestrado, e aí... me ferrei muito, pois faltava aquele sentimento de estar se sentindo produtivo para conseguir ser ainda mais produtivo.

Bem... é isso.. o desabafo foi para registrar esse nocaute que recebi hoje...
Ainda está mexendo comigo, mas não sei ainda até onde essa chacoalhada vai me levar.

Abraços!
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